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Enriquecimento comportamental – Comunicação eficiente

Posted by on 18 de março de 2011

                                    Um Terranova – Mozart – dando a patinha 🙂 – Arquivo pessoal

          Acho que agora está na hora de entrarmos no quesito: correção.
          Aqui eu começo a série: já tenho esse problema E AGORA?
          E começamos tudo mostrando uma maneira de desenvolver uma linha de comunicação com o seu animal. Não tem como ele saber o que você quer e muito menos você saber o que se passa com seu bichinho sem antes vocês possuírem um canal de comunicação. Os seres humanos conseguem, mesmo com desconhecidos, interpretar alguns estados emocionais apenas lendo o conjunto postural do outro (se não sabe é melhor começar a perceber, pode lhe ajudar a evitar encrencas ou aproveitar oportunidades que surjam). Essa sensibilidade e aprendizado sobre o outro nos leva a um mundo incrível de percepção, respeito e prazer.    Quem não conhece seu animal perderá muito da relação jogando nele uma série de interpretações equivocadas e consagradas como verdades (os paradigmas, perdição!). Dizer que cão com a cauda abanando quer dizer “cão feliz” é um equivoco até perigoso. Tudo que observamos deve ser colocado num contexto para que nos traga uma interpretação mais próxima da realidade.

          Então a primeira parte disso tudo diz respeito a sinais que os animais emitem e o que eles significam em certos contextos. Como minha experiência se pauta principalmente em cães, um tantinho em gatos falarei mais deles. Para outras espécies é interessante aquela leitura sobre comportamento natural em vida livre. De qualquer forma, animais criados muito juntos aos humanos, instintivamente aprendem a ler algumas posturas humanas. Também existem livros interesssantes sobre o assunto que podem ser consultados para mais detalhes (o que aconselho). Sugiro: Cachorros Falam da Sophie Collins, MAS Sempre lembrar que não existem sinais e sim CONTEXTOS!

          Depois de aprender a entender o animal, é importante dar um outro passo, pois de nada adianta eu entender um sinal se não sei emitir outro para me comunicar. CALMA! ninguém vai precisar aprender a andar em 4 apoios, nem latir, nem levantar a perna pra fazer xixi! Como somos seres inteligentes (ao menos eu acho), conseguimos imaginar  que usando algumas ferramentas podemos CONSTRUIR UMA VIA DE COMUNICAÇÃO. Para este fim temos vários caminhos para escolher, mas depois de muitas tentativas e muitos resultados observados, se notou que existe um método que dá resultados mais eficientes e duradouros além de tornar o processo todo mais prazeroso. O uso de recompensas e clicker nos dá ótimos resultados e alem do aprendizado é possível notar o aumento do prazer e do respeito na relação.

          E é disso que vamos falar: condicionamento, adestramento com clicker.
          Sinceramente não pretendo aqui ensinar como se adestra com clicker, mesmo porque existem livros que o fazem e cursos também, o que quero é chamar a atenção para a técnica e seus pormenores.
          Primeiramente, se você quer um cão adestrado coloque na cabeça que então você terá que aprender a adestrar seu cão, pois nenhum profissional, por melhor que seja, poderá fazer isso por você. Caso alguém diga o contrário, peço que se apresente e me ensine :D. Não estou falando de ensinar o cão a sentar, deitar, rolar, pois isso, depois de muito repetirmos, pode sim ser ensinado ao longo do tempo sem muito esforço do proprietário, mas eu PESSOALMENTE não chamo isso de adestramento.
        Adestrar é o mesmo que educar e para educarmos devemos ter a tal linha de comunicação, pois sem ela não há troca. Adestrar é muito mais que ensinar comandos, é entender o cão e se fazer entender. E isso só pode ser realizado entre os indivíduos que compõem a relação.
          E para que serve o mágico “click”?
          O barulhinho é um facilitador, ele sinaliza um acerto e com o tempo passa a ter sabor de vitória para o animal. Se você não pretende ter um supercão que faça estripulias e tudo mais, não é necessário usar esse marcador com som metálico, você pode usar qualquer palavra ou som que mostre seu contentamento (também serão marcadores). O importante é que esse sinal seja sempre o mesmo para o cão ter certeza do que está acontecendo.
          O barulhinho/palavra/click deve vir antes da recompensa propriamente dita (brinquedo, carinho, petisco) e exatamente depois do acerto, seja lá qual for, determinado por você. Ele representará o fim do exercício, comando, tarefa e depois dele o cão estará livre até que se inicie outro comando ou exercício.
          MAS nada disso fará o menor sentido se a linha de comunicação não estiver estabelecida. Como isso se dá?
          Primeiro costumamos ensinar o cão o que é CERTO e o que é ERRADO. Como CERTO, tomamos tudo que será seguido de recompensa, mas o que devemos recompensar? As recompensas devem vir SEMPRE depois de uma atitude induzida por você ou espontânea do animal e que seja totalmente desejável. NUNCA se recompensa quando o cão apenas obedecer um NÃO bem dado. Então a regra para ensinar o SIM e o NÃO é: Jamais recompense depois de dar uma bronca.
          Para tornar mais claro eu gosto de usar o exemplo do jogo de video game: iniciamos o jogo, se fizermos algo errado a tela nos manda a mensagem: GAME OVER e começamos o exercício novamente, se fizermos algo certo visualizamos a mensagem WINNER (ou qualquer outra semelhante). Então se o animal fizer o exercício certo = recompensa; se fizer errado = punição e começa o exercício novamente.
Exercício é TUDO o que você se propuser a fazer com o cão, e suas regras também serão feitas por você, devem ser óbvias, voltadas para a facilitação do acerto e constantes. A mudança de regras no meio do jogo confunde o animal e o torna ansioso.
          Por tudo isso costumo dizer que o maior benefício para o homem que treina um cão é o exercício da sua Coerência 🙂
          O SIM e o NÃO devem sempre estar presentes no dia-a-dia da relação, deve ser treinado exaustivamente, pois a obediência é um quesito de segurança antes de tudo. E também, a obediência (que nada tem de ditatorial) deixa o animal (que tem hábitos sociais) mais seguro e feliz.

         Chega por hoje, estou devendo um monte de coisas ainda, não esqueci, é que as idéias vão surgindo e eu vou escrevendo 🙂
         Até a próxima.

4 Responses to Enriquecimento comportamental – Comunicação eficiente

  1. Margarida Helena

    Alessandra,voce é a favor de punição? o que seria puniçao? um não bem firme e com cara de bravo? ouvi dizer que os cães aprendem melhor pela recompensa. Acho que há casos de animais descontrolados que precisem de um basta bem forte.( como um psico tapa numa pessoa descontrolada,rs!) bjs

  2. Alessandra Caprara

    Sim MArgarida. A punição, apesar desse nome feio e forte, também mal usado, é necessária muitas vezes. Temos 2 tipos de punição: a positiva, chamada assim, pois introduzimos um estímulo desagradável e a negativa, chamada assim, pois retiramos algo que o animal deseja (frustramos). Muitos cães respondem bem à punição negativa e pela minha observação, com o passar do tempo ela é suficiente na grande maioria dos casos onde o guardião estabelece uma comunicação eficiente com o animal. Mas nem todos os casos funcionam com ela e então lançamos mão da punição positiva na intensidade correta para causar um susto/desconforto e não para causar medo. A punição positiva pode ser desde uma palma simultânea a um NÃO forte e grave até o uso de extintor de CO2, novamente, na dependência da sensibilidade do animal. O assunto PUNIÇÕES é longo e complexo e já adianto que elas não devem ser escolhidas e nem aplicadas sem orientação profissional, é perigoso para o bem-estar do animal.É isso aí 🙂

  3. mary

    olá esou adorando este site pois já concegui tirar bastante as minhas duvidas
    tenho um cachorr da raça fila brasileiro de 5 meses já me falaram que os cachorros desta raça sao muitos bravos
    eu amo o meu e nao queria ele tao bravo o que poço estar fasendo para que a enves de ele me traser alegrias nao me traga decepçao
    pois de tanto os outros falarem fico com um pouco de medo quando ele estiver na fase adulta
    caso alguem saiba o que poço estar fasendo
    por favor me informem
    obrigado

    • Ana Hanashiro

      Oi, Mary.

      Se sua intenção é ter um cão de família, que não seja para guarda, o ideal é apresentá-lo a várias pessoas diferentes (alturas, origem racial, idade, mais tímidas e mais extrovertidas, que falam baixo e que falam alto, etc.) e vários bichos também e expô-lo a várias situações e lugares diferentes (isso implica em cheiros e barulhos diferentes), e associar esse contato a algo prazeroso. Faça desse encontro ou visita algo bacana, com brincadeiras e petiscos. Procure não assustá-lo, peça para as pessoas serem gentis e não assustá-lo com movimntos muito bruscos ou brincadeiras muito brutas. Se você estiver com ele na guia, procure não transmitir tensão através da guia. Mantenha-a sempre relaxada e você também deve se mostrar relaxada nesses encontros. Esse processo se chama sociabilização.
      A agressividade não depende somente da raça. Há vários cães da raça Fila Brasileiro que são bastante dóceis, assim como há vários cães da raça Pitbull mais dóceis que alguns Labradores.
      O fator genético existe, mas a manifestação da agressividade também se deve à influência do ambiente e da forma como o cão é criado.
      Para saber se o seu cão tem um temperamento agressivo (fator genético), é preciso que ele seja avaliado por um profissional especialista em comportamento canino.
      De qualquer forma, tendo seu cão predisposição genética ou não, a sociabilização é super importante e pode prevenir vários problemas.

      Obrigada por participar e conte com a gente.

      Um abraço,
      Ana Hanashiro

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