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Punições e indivíduos

Posted by on 1 de março de 2012
Foto: Brainpix/AG

Será que isso foi uma punição?

Como prometido no post de punições, um pouco mais tarde, mas jamais falhando, vou falar mais sobre a dificuldade e a responsabilidade que se deve ter ao utilizar-se dessa ferramenta.

Atualmente a palavra PUNIÇÃO é muito mal utilizada e carrega todo um estigma. Normalmente a pessoa confunde Punição com Maus Tratos, e definitivamente não são a mesma coisa. Punição é um estímulo (P+) ou a retirada de um estímulo (P-) que promove uma DIMINUIÇÃO da frequencia de um comportamento. Definitivamente não existem situações fixas que possam ser chamadas de punitivas, tudo dependerá do CONTEXTO. Maus Tratos são atitudes que não têm outro objetivo senão vingança ou simples despejo de raivas e frustrações humanas (ou ainda processos psicopatológicos).

Nos experimentos de Skinner, ele notou que ao colocar um rato privado há muito tempo de água numa caixa onde a barra que eliminava gotas de água ao ser pressionada dava choques, o rato não teve o a frequencia do comportamento (apertar a barra) diminuída. O estímulo de busca de água era maior. Você pode pensar: maus tratos!!!! Depende do ângulo.

Eu já vi casos de cães que não estavam privados de alimentação, mas que estavam sendo treinados contra envenenamento (não estou expressando aqui minha opinião sobre esse tipo de treinamento, apenas relatando o fato) com estimulação elétrica (alta voltagem e baixa amperagem, não é a mesma coisa que choque na tomada). Montávamos a armadilha como manda o figurino, soltávamos o cão e ficávamos na espreita para ativar o equipamento. Todas as vezes o cão comeu a carne… Então suspeitamos que o aparelho pudesse estar quebrado… ao tocarmos no fio AAAAAAAIIIIIIIII!!!! Choque horrível! Estava funcionando perfeitamente, dando descarga elétrica no dedo… o cão estava mordendo o fio!!! Recebendo descarga no DENTE!!!! Consegue imaginar isso do ponto de vista humano? O que ficou provado naquele treinamento? A estimulação elétrica, desagradável, repulsiva para um humano, não era punitiva para aquele animal. Então posso enquadrar estimulação elétrica (ou eletrostática) como punitivo?

Por outro lado, treinava um cachorro para fazer as necessidades no tapete higiênico. Estava lá já na fase de recompensar os acertos no tapete e de repente o cão ACERTOU!!! Meu reflexo foi: EEEEEEEE!!!!! Muito bem!!!! E isso não foi um grito, mas um excesso de entusiasmo. Adivinha quanto tempo levou para que o cão voltasse a urinar na minha frente! Pois é… minha festa de alegria e satisfação foi uma punição muito eficiente para o cão, tão eficiente que quando aplicada apenas UMA VEZ, extinguiu o comportamento (pena que era um comportamento desejável).

Então, a punição, assim como a recompensa, não diz respeito a um objeto, um estímulo ou a falta dele, mas sim diz respeito a um contexto: temperamento do indivíduo + condições ambientais + condições fisiológicas do indivíduo. Esses fatores determinarão a força do estímulo-resposta. Exatamente por isso, a escolha e a correta utilização de uma punição é papel de profissional.

Os traumas em animais decorrentes de punições acontecem em situações em que a pessoa que aplicava a técnica não sabia de forma alguma como manipular essa ferramenta. Muitas vezes mesmo os profissionais podem se equivocar, mas com certeza o resultado não será desastroso como o caso que conto a seguir.

Fui atender uma cliente com um Lhasa apso, fêmea, ansiosa, dominante, medrosa. Então, minha cliente contou a história do problema que era levar a cachorra para o petshop pra tomar banho. Ela ia meio ansiosa, mas de repente ela começou a ficar muito alterada ao entrar no ambiente, recusava-ve veementemente. Certa vez relataram no petshop que ela tomou 2 banhos, pois defecou durante o processo de secagem (coisa que nunca havia feito). Ninguém compreendeu o fato até que souberam que o rapaz do banho estava punindo a cachorra com uma lata cheia de moedas. Ele viu a técnica em algum lugar e decidiu usar, pois a cachorra estava muito agitada. Ela, que já tinha um medo leve de qualquer situação que fugisse minimamente do corriqueiro, ficou apavorada com a pessoa, o ambiente e o ato. Resultado: mudaram de petshop para minimizar os estragos, mas quando peguei o caso a cachorra ainda estava bem assustada com barulhos altos.

Pessoas leigas NÃO DEVEM decidir sobre punições. Pessoas leigas devem apenas estimular seu animal com recompensas. Caso exista algum problema comportamental, chame um profissional. Ele vai primeiro DIAGNOSTICAR o problema, depois vai ELABORAR UM PLANO DE AÇÃO baseado no quadro que se apresentar, só depois ele vai ensinar quando, como e onde usar as ferramentas.

Se o trabalho for bem feito, ou melhor, quando o trabalho é bem feito, o uso de punições é mínimo, têm caráter corretivo e dificilmente usadas como primeira escolha (a não ser em caso de ataques e brigas onde a vida do animal ou de uma pessoa esteja em risco). Digamos que a punição seja uma ferramenta para lapidações finas, pra ser usada depois que o quadro foi abordado e tratado em sua profundidade, sendo removidas as causas do problema.

É isso aí

Abraços,

Equipe da Bicho.

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